Conjuntivocálase: o que é, principais sintomas e opções de tratamento

Oftalmologista observa os olhos de uma paciente idosa durante consulta

Sensação de areia, lacrimejamento, vermelhidão e visão que oscila ao longo do dia são sintomas frequentemente associados ao olho seco. Entretanto, quando o desconforto persiste apesar do uso de colírios lubrificantes, pode existir uma alteração mecânica na superfície ocular chamada conjuntivocálase.

A conjuntivocálase ocorre quando a conjuntiva forma dobras redundantes, geralmente próximas à pálpebra inferior. Essas dobras podem interferir na distribuição e no escoamento da lágrima, além de aumentar o atrito durante o piscar.

O tratamento depende da intensidade dos sintomas, das alterações associadas e da resposta às medidas clínicas. Em casos selecionados, podem ser considerados procedimentos em consultório, incluindo abordagens com o Plexr.

O que é conjuntivocálase?

A conjuntiva é uma membrana fina e transparente que recobre a parte branca do olho e a face interna das pálpebras.

Na conjuntivocálase, esse tecido apresenta frouxidão e forma uma ou mais dobras entre o globo ocular e a borda da pálpebra, com maior frequência na região inferior. Essas dobras podem ocupar o espaço do menisco lacrimal, estrutura que ajuda a armazenar e distribuir a lágrima.

A condição também pode dificultar a movimentação normal da lágrima em direção aos pontos lacrimais, responsáveis por sua drenagem. Por isso, uma pessoa pode apresentar simultaneamente sintomas de ressecamento e lacrimejamento.

A conjuntivocálase não é o mesmo que “pele sobrando” na pálpebra. Trata-se de uma alteração da conjuntiva, localizada na superfície do olho.

Por que a conjuntivocálase acontece?

A condição é mais frequente com o avanço da idade, mas não ocorre exclusivamente em idosos. Seu desenvolvimento parece envolver alterações na elasticidade e na aderência da conjuntiva, além de inflamação e estresse mecânico da superfície ocular.

Alguns fatores associados são:

  • envelhecimento dos tecidos;
  • inflamação crônica da superfície ocular;
  • alergias oculares;
  • hábito frequente de coçar os olhos;
  • instabilidade do filme lacrimal;
  • olho seco;
  • disfunção das glândulas de Meibômio;
  • exposição recorrente a vento, ar-condicionado e ambientes secos;
  • histórico de procedimentos ou cirurgias oculares em alguns pacientes.

A presença de um desses fatores não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá conjuntivocálase. O diagnóstico deve considerar o conjunto de alterações encontradas no exame.

Quais são os principais sintomas?

Conjuntivocálases discretas podem não causar sintomas. Quando as dobras interferem no piscar ou no filme lacrimal, podem ocorrer:

  • sensação de areia ou corpo estranho;
  • ardência;
  • irritação;
  • vermelhidão;
  • lacrimejamento;
  • ressecamento;
  • piora do desconforto ao piscar;
  • secreção mucosa ou sensação de lágrima acumulada;
  • visão borrada ou oscilante;
  • desconforto com lentes de contato.

Os sintomas podem se parecer com os do olho seco. Além disso, as duas condições podem estar presentes ao mesmo tempo.

Conjuntivocálase e olho seco são a mesma coisa?

Não. O olho seco é uma doença multifatorial relacionada à instabilidade do filme lacrimal, à inflamação e a alterações na produção ou evaporação da lágrima.

A conjuntivocálase é uma alteração anatômica da conjuntiva. Suas dobras podem prejudicar a distribuição da lágrima, aumentar o atrito e agravar os sintomas da superfície ocular.

Por isso, tratar apenas com um colírio genérico pode não ser suficiente. Também é necessário investigar se existe:

  • deficiência aquosa da lágrima;
  • evaporação excessiva;
  • disfunção das glândulas de Meibômio;
  • blefarite;
  • alergia;
  • exposição da superfície ocular;
  • alteração no posicionamento das pálpebras.

O tratamento deve ser direcionado ao mecanismo predominante em cada paciente.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado pelo oftalmologista por meio da história clínica e do exame da superfície ocular na lâmpada de fenda.

Durante a avaliação, o médico observa:

  • localização e número de dobras conjuntivais;
  • relação das dobras com a borda da pálpebra;
  • interferência no menisco lacrimal;
  • presença de inflamação;
  • estabilidade do filme lacrimal;
  • condições das pálpebras;
  • sinais de olho seco e disfunção das glândulas de Meibômio;
  • correspondência entre o exame e os sintomas.

Testes complementares da lágrima e da superfície ocular podem ser realizados quando necessários. O simples achado de uma dobra não significa que ela seja a responsável pelo desconforto; é preciso avaliar sua relevância clínica.

Como tratar a conjuntivocálase?

O tratamento é individualizado. Pacientes sem sintomas ou com alterações discretas podem precisar apenas de acompanhamento. Quando há desconforto, a abordagem costuma começar pelo controle da superfície ocular.

Lubrificação e controle da inflamação

O oftalmologista pode recomendar lágrimas artificiais, preferencialmente sem conservantes quando o uso é frequente, além de géis ou outras estratégias de lubrificação.

Em situações específicas, medicamentos para controlar a inflamação ou a alergia podem ser prescritos. Colírios anti-inflamatórios, especialmente os que contêm corticoide, não devem ser usados por conta própria.

Tratamento do olho seco associado

Quando existe olho seco, é importante identificar seu tipo. Se houver disfunção das glândulas de Meibômio, o tratamento pode incluir higiene palpebral, compressas, medidas ambientais e tecnologias direcionadas às glândulas.

Na Visu Clinic, o iLux pode ser utilizado em pacientes selecionados para o tratamento da disfunção das glândulas de Meibômio. O equipamento aplica calor e compressão controlados para favorecer a liberação da secreção obstruída.

O iLux não remove as dobras da conjuntivocálase. Sua função é tratar um componente evaporativo do olho seco quando ele está presente.

Procedimentos para reduzir as dobras conjuntivais

Quando os sintomas persistem apesar do tratamento clínico e há correspondência clara entre as dobras e o desconforto, pode ser indicado um procedimento para reduzir ou reposicionar a conjuntiva redundante.

As possibilidades incluem:

  • cauterização ou termoconjuntivoplastia;
  • ressecção da conjuntiva excedente;
  • fixação ou reconstrução da conjuntiva;
  • abordagem assistida por plasma.

A técnica depende da extensão das dobras, das características da superfície ocular e da avaliação do especialista.

Como o Plexr pode ser utilizado?

O Plexr é uma tecnologia italiana que utiliza jato de plasma. Em pacientes selecionados, pode ser empregado para produzir uma retração controlada da conjuntiva redundante, com o objetivo de reduzir as dobras que interferem no filme lacrimal.

A possibilidade de realizar uma abordagem minimamente invasiva em consultório pode ser uma vantagem em casos adequadamente indicados. Entretanto, é importante esclarecer que:

  • o Plexr não é indicado para todos os graus de conjuntivocálase;
  • a decisão depende do exame oftalmológico;
  • outras causas de irritação precisam ser investigadas;
  • pode haver desconforto, inflamação e vermelhidão durante a recuperação;
  • nenhum procedimento permite garantir eliminação definitiva dos sintomas;
  • casos extensos ou complexos podem exigir outra técnica.

O Plexr também não substitui o tratamento do olho seco ou da disfunção das glândulas de Meibômio quando essas condições estão associadas.

O procedimento dói?

Os procedimentos para conjuntivocálase costumam ser realizados com anestesia local. A anestesia busca reduzir a sensibilidade durante a intervenção, mas não é adequado prometer que a experiência será completamente indolor.

O paciente pode perceber a aplicação do anestésico, pressão, manipulação ou algum desconforto. No período de recuperação, podem ocorrer ardência, lacrimejamento, sensação de corpo estranho e vermelhidão, geralmente manejados com as medicações prescritas.

Como é a recuperação?

O tempo de recuperação varia de acordo com a técnica empregada, a extensão do tratamento e as características de cada paciente.

As orientações podem incluir:

  • usar corretamente os colírios prescritos;
  • evitar coçar os olhos;
  • suspender lentes de contato até a liberação;
  • utilizar óculos escuros para reduzir o incômodo com luz e vento;
  • evitar piscinas, maquiagem e ambientes contaminados pelo período indicado;
  • comparecer às consultas de acompanhamento.

O alívio pode ocorrer de maneira gradual, conforme a superfície ocular se recupera. Olho seco, alergia ou disfunção das glândulas de Meibômio podem exigir acompanhamento contínuo mesmo após a redução das dobras.

O que pode acontecer sem tratamento?

Nem toda conjuntivocálase precisa de intervenção. Nos casos assintomáticos, o acompanhamento pode ser suficiente.

Quando a condição é clinicamente relevante, ela pode manter ou agravar irritação, lacrimejamento, instabilidade da lágrima e desconforto ao piscar. Em quadros mais intensos e associados a outras doenças da superfície ocular, podem ocorrer alterações do epitélio da córnea.

A indicação de tratamento considera a intensidade dos sintomas, os achados do exame e o impacto na qualidade de vida — não apenas a presença das dobras.

Quando procurar um especialista?

Uma avaliação é recomendada quando há sensação de areia, vermelhidão, lacrimejamento ou visão oscilante que persistem apesar da lubrificação.

Também é importante procurar o oftalmologista quando:

  • o desconforto se torna frequente;
  • há piora da visão;
  • lentes de contato deixam de ser toleradas;
  • os sintomas afetam atividades diárias;
  • diferentes colírios foram usados sem diagnóstico definido;
  • existe histórico de olho seco ou doença da superfície ocular.

A Visu Clinic fica em Jacareí e atende pacientes de toda a região do Vale do Paraíba, incluindo São José dos Campos, Taubaté, Caçapava, Guararema, Santa Isabel, Igaratá, Mogi das Cruzes e Arujá.

Perguntas frequentes

A conjuntivocálase tem cura?

Existem tratamentos capazes de reduzir as dobras conjuntivais e melhorar os sintomas em pacientes bem indicados. Contudo, o resultado varia, e não é correto garantir cura ou alívio definitivo. Condições associadas, como olho seco, alergia e disfunção das glândulas de Meibômio, podem continuar exigindo acompanhamento.

A conjuntivocálase sempre precisa de cirurgia?

Não. Alterações discretas e assintomáticas podem ser apenas acompanhadas. O tratamento clínico costuma ser a primeira opção quando existem sintomas leves. Procedimentos são considerados quando o desconforto persiste e as dobras têm relevância comprovada no exame.

Qual é a diferença entre conjuntivocálase e pterígio?

A conjuntivocálase forma dobras redundantes de conjuntiva, geralmente junto à pálpebra inferior. O pterígio é um crescimento fibrovascular que avança da conjuntiva em direção à córnea. As duas condições têm características e tratamentos diferentes.

O Plexr substitui a cirurgia convencional?

Não em todos os casos. O Plexr pode ser uma alternativa para pacientes selecionados, mas sua indicação depende da extensão e da localização das dobras e das demais alterações da superfície ocular. Casos mais extensos podem exigir outra técnica.

O iLux trata a conjuntivocálase?

O iLux não remove as dobras conjuntivais. Ele pode ser utilizado para tratar a disfunção das glândulas de Meibômio quando ela contribui para o olho seco e para os sintomas do paciente.

A conjuntivocálase altera o grau dos óculos?

A condição não costuma mudar diretamente o grau de miopia, hipermetropia ou astigmatismo. Entretanto, a instabilidade do filme lacrimal pode provocar visão borrada ou oscilante e interferir temporariamente na qualidade visual e em algumas medições.

Os sintomas podem voltar após o tratamento?

É possível haver persistência ou recorrência de sintomas, principalmente quando existem outras doenças da superfície ocular. Por isso, o acompanhamento e o tratamento dos fatores associados continuam importantes.

Agende sua avaliação na Visu Clinic

Se você apresenta irritação, sensação de areia, lacrimejamento ou visão oscilante mesmo após utilizar colírios, procure uma avaliação completa da superfície ocular.

Na Visu Clinic, o Dr. Emmanuel Antunes, CRM-SP 138.046 / RQE 62.071, atua no diagnóstico e no tratamento completo do olho seco e das alterações da superfície ocular. De acordo com as necessidades de cada paciente, a abordagem pode incluir tratamento clínico, iLux para disfunção das glândulas de Meibômio e procedimentos com Plexr para casos selecionados de conjuntivocálase.

Agende uma consulta para investigar a causa dos sintomas e receber uma orientação individualizada.

Dr. Emmanuel Antunes

Médico Oftalmologista formado pela Faculdade Estadual de Medicina de São José do Rio Preto – SP e Hospital de Base (FAMERP/HB), de 2012 a 2015. Diretor Clínico da VISU CLINIC Oftalmologia, desde 2021.

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